Sobre os ataques no Sri Lanka

Centenas de cristãos foram mortos no Sri Lanka em várias explosões ao celebrarem a Páscoa e a Ressurreição de Cristo. É sobre isso que o agostiniano recoleto Antonio Carrón reflete.

Acordar no domingo de Páscoa com a notícia dos ataques do Sri Lanka a vários hotéis e igrejas teve um grande impacto em todos. Num dia em que a vida e a alegria se tornam protagonistas, a morte e a tristeza inundam o mundo. E não foi a primeira vez: lá, em 2017, houve 47 vítimas de outro ataque aos cristãos durante a celebração do Domingo de Ramos. No total, em 2018, mais de 4.000 cristãos perderam a vida por professar a sua fé, e talvez seja algo que está passando muito despercebido. Não há muito tempo, Notre Dame ardeu em Paris e o mundo – acreditando e não acreditando – transformou-se numa corrente interminável de tristeza, apoio e desejos de reconstrução. Hoje estamos falando de 245 milhões de cristãos que são perseguidos no mundo por sua fé, muitos deles morrem (no Sri Lanka e em muitos outros lugares), e isso pode não parecer ter tanto impacto, não tão notável ou, pelo menos, não tão interessante. Como se a história da pedra parecesse mais valiosa do que a história da carne…

A Igreja, desde as suas origens, tem sido perseguida. Foi o testemunho dos primeiros mártires que deu um impulso definitivo à incipiente comunidade cristã que encontrou um número infinito de obstáculos. Muitos destes testemunhos continuam a ser uma força para muitos outros viverem hoje a sua fé com esperança. E sim, ao longo da história a Igreja viveu e continua a viver suas crises e contradições por muitas razões diferentes: abuso de poder, ambição, egoísmo, hipocrisia… Constituída por seres humanos, a Igreja tem aquela dimensão humana e, portanto, tocada pelo mal. Mas a Igreja é também santa e, dia após dia, milhões de pessoas avançam, de muitas maneiras e em muitos lugares, com a missão confiada por Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho” (Mc 16, 15).

Quando tudo está indo bem, quando a Igreja é aplaudida, aceita ou privilegiada, devemos nos perguntar se tudo está indo bem. Se a Igreja é perseguida por testemunhar a fé e há cristãos que dão a vida por Jesus Cristo e pelo seu Evangelho, então é quando a sua Palavra se torna realidade: “Quem perder a sua vida por minha causa, encontrá-la-á”. (Mt 10:37-42) “Neste tempo, receberás cem vezes mais, com perseguições, e no futuro, a vida eterna. (Mk 10, 28-31)

Os ataques no Sri Lanka não distinguiram: havia pessoas em férias, pessoas a trabalhar, a celebrar a Páscoa ou simplesmente de passagem. O mal não distingue, mas o bem sempre triunfa. A existência do mal no mundo é um convite a que, a partir do Evangelho, nos unamos e vençamos o mal pelo bem.

Antonio Carrón de la Torre OAR

#UnaPalabraAmiga

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